Pelo menos em 900 de cerca de mil Medidas Provisórias editadas em quatro governos do Partido dos Trabalhadores tiveram “emendas exóticas” que se traduziram em propina”. A afirmação é do ex-ministro Antônio Palocci (PT) em delação à Polícia Federal. A declaração está na parte do sigilo judicial quebrado hoje à tarde pelo juiz Sérgio Moro. Ele atendeu a defesa de envolvidos na venda, supostamente irregular, do terreno ao Instituto Lula em São Paulo.
De acordo com a parte do processo que agora pode ser consultada por todos os brasileiros, o ex-presidente Lula da Silva, que está preso desde abril em Curitiba, participou diretamente das negociações para loteamento de cargos para o PT na Petrobras. E que pelo menos R$ 40 milhões foram negociações através do caixa dois para a campanha de Dilma Rousseff (PT). Nestas negociações, segundo Palocci, teve a “presença física do ex-presidente”.
Palocci afirma que sabia da existência de contas bancárias no exterior para alimentar as campanhas políticas, mas disse que não fez a abertura de nenhuma delas. As contas foram abertas, de acordo com Palocci, por empresários para que pudessem depositar valores de propina. As duas campanhas eleitorais do PT de 2010 e 2014 custaram cerca de R$ 600 e R$ 800 milhões, respectivamente.
Na delação de abril passado autorizada pela justiça e posteriormente ratificada pelo Supremo Tribunal Federal à Polícia Federal, Palocci ainda conta detalhes sobre irregularidades com a Sete Brasil e também na construção da Usina de Belo Monte (PA). Por conta dessa delação, Palocci que foi ex-ministro da Fazenda e homem de confiança de Lula da Silva e Dilma Rousseff, obteve redução de 2;3 da pena. Palocci está preso desde setembro de 2016, após uma das fases da operação Lava Jato.


















