Bolsonaro – uma agenda de início de governo

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O governo Bolsonaro realizou um importante movimento no tabuleiro político. Tendo em foco o simbolismo dos 100 primeiros dias de gestão, o Planalto apresentou uma lista de 35 projetos prioritários para os próximos meses.

Trata-se de um amplo leque de proposições, selecionadas pelos ministros e suas equipes. Aborda-se de meio ambiente até economia, passando por infraestrutura e questões sociais.

Em primeiro lugar, Bolsonaro tentar dar uma resposta aos críticos de sua administração, considerada por muitos “insensível” a determinados temas. Assim, foram incluídos no pacote, entre outros, a expansão do programa Bolsa-Família via décimo-terceiro benefício, o estabelecimento de uma campanha nacional de prevenção ao suicídio e a promoção de uma interação entre universidades e a rede de escolas públicas para o ensino de ciências.

O mercado também foi lembrado. A privatização do setor de transportes e a independência do Banco Central (esse último discutido há tempos) estarão na agenda dos próximos meses.

Certas ausências da lista também chamam a atenção. Falamos aqui em especial sobre a reforma da Previdência, a menina dos olhos do governo Bolsonaro. Há uma explicação razoável – o texto da proposta ainda está em processo de elaboração pela equipe econômica, e não se sabe qual será o resultado final. Além disso, a negociação no Congresso levará a muitas mudanças em relação ao texto original. Desse modo, as mudanças na Previdência representam um capítulo especial, à parte da agenda de 100 dias.

A apresentação da agenda tem um objetivo adicional. O governo cria um fato positivo e tenta esvaziar, ao menos em parte, a crise envolvendo o senador eleito Flávio Bolsonaro (PSL-RJ) e seu ex-assessor, Fabrício Queiroz. O caso ainda não atingiu diretamente o presidente, mas há o receio de que a situação se agrave e a crise “suba a rampa do Planalto”.

É evidente que muitos dos projetos listados não serão aprovados, ao menos no prazo estipulado. Outras matérias se juntarão e a agenda poderá ser alterada, a depender da evolução dos fatos e da vontade política dos parlamentares. De todo modo, o governo tenta mostrar-se proativo, antecipando-se à posse do novo Congresso e tentando ditar o rumo dos debates. Um movimento interessante em meio a notícias ruins.

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