A economia será um fator chave nas eleições de 2022

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As dívidas impactam na venda a crédito no comércio /Arquivo/Agência Brasil
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A dois meses para fechar o ano, a decisão busca basicamente reduzir as pressões sobre os preços

Texto de Vivaldo de Sousa

A decisão do Banco Central de elevar a taxa básica de juros será mais um fator a prejudicar o crescimento da economia em 2022, quando o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) pretende disputar a reeleição. Como inflação acima de 10% no acumulado em 12 meses até setembro, os juros subirão pelo menos mais 1,5 ponto percentual na reunião de dezembro do Copom (Comitê de Política Monetária), a última deste ano.

O aumento da Selic anunciado nesta quarta-feira (28) elevou a taxa básica de juros para 7,75% ao ano. Foi a sexta alta consecutiva, o que elevou a taxa para o maior patamar desde setembro de 2017, quando estava em 8,75%. E a tendência, pelo menos no momento, é que na primeira reunião do Copom no próximo ano a taxa básica tenha uma nova alta e supere 10% ao ano. Se a inflação ceder, cairá ao longo de 2022.



A dois meses para fechar o ano, a decisão do Banco Central busca basicamente reduzir as pressões sobre os preços no próximo ano. No curto prazo, diante da decisão do governo de aumentar os gastos públicos para criar o Auxílio Brasil, substituto eleitoreiro do Bolsa Família, a expectativa é que o dólar continue em alta nas próximas semanas, acompanhando o preço dos combustíveis, que já subiu 73% desde janeiro.

Junto com a má gestão da pandemia por parte do governo federal, situação que não mudou com a campanha de imunização, os temas econômicos devem ditar os rumos da campanha eleitoral de 2002. Embora Bolsonaro e seus aliados estejam ressuscitando desde já as pautas de costumes e àquelas relacionadas à corrupção, a falta de comida no prato e o desemprego atingem diretamente o bolso e o humor dos brasileiros.



As próximas semanas, até as festas de final de ano no Natal e no Réveillon, devem ser de revisão nas previsões do mercado financeiro e dos analistas econômicos sobre o desempenho da economia no próximo ano, com uma piora nas projeções. Assim como fez o Banco Itaú nesta semana, ao mudar para queda de 0,5% a alta prevista para o PIB (Produto Interno Bruto) em 2022, outras previsões devem ir na mesma direção.

Do ponto de vista econômico, tudo indica que vamos começar o próximo ano pensando já em janeiro de 2023. Vencida a pandemia, sobre a qual ainda pairam algumas dúvidas, a reconstrução e a recuperação da economia precisará ir além do crescimento do PIB. Será preciso retomar o rumo da democracia, será preciso recuperar credibilidade interna e externa, será preciso conter o desmatamento, será preciso implementar políticas públicas que busquem, efetivamente, reduzir as desigualdades sociais.


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