Os 80 anos das Nações Unidas e a crise da governança global

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Vista externa da sede das Nações Unidas em Nova Iorque/Arquivo/Divulçgação
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Em 2026, exatamente daqui a um ano, a Nações Unidas passará por eleições e um novo secretário-geral será conhecido

Por Marcelo Rech – DF

No dia 9 de setembro, terça-feira, o Brasil abrirá a 80ª Sessão da Assembleia-Geral das Nações Unidas, em Nova Iorque. O evento tem um caráter simbólico ímpar, pois marca os 80 anos de criação da Organização das Nações Unidas (ONU), em um momento de grave crise da governança global.

Antes fortemente celebrada, a ONU é hoje, um arremedo do que já foi ou do que se propõe ser. Pesada e entregue à uma burocracia engessada, a ONU há muito não responde aos anseios preconizados em sua carta-fundacional. Uma reforma ampla, completa e irrestrita é mais que necessária, é urgente.

Em 2026, exatamente daqui a um ano, a ONU passará por eleições e um novo secretário-geral será conhecido. Por enquanto, este processo ainda engatinha. Os cinco membros permanentes do seu Conselho de Segurança, guardam suas estratégias para o momento oportuno. Cada um, à sua maneira, buscará influenciar na escolha de alguém aceitável.

No dia 23 de setembro, o atual Secretário-Geral, o português Antônio Guterres, fará o seu penúltimo discurso de abertura da Assembleia-Geral enquanto líder da instituição. Guterres assumiu a liderança da ONU em janeiro de 2017, sendo reconduzido para um segundo mandato, que termina no final do próximo ano.

O Secretário-Geral, em seus dois mandatos, não conseguiu impedir que a ONU perdesse credibilidade e relevância. A entidade nasceu após duas guerras mundiais justamente para evitar novas guerras! Além de se mostrar incapaz de evitá-las, a ONU ainda se depara com uma enorme crise financeira, agravada pela decisão dos EUA de se retirar de várias de suas agências.

Como principal mecanismo de concertação política global, a ONU vive um momento de grandes incertezas para si e para o sistema multilateral. Dos grandes que efetivamente influem em seus rumos, apenas a China parece ter alguma ideia objetiva sobre o que deve ser feito.

Na semana passada, à margem da Cúpula da Organização de Cooperação de Xangai, Pequim deu a conhecer a Iniciativa para a Governança Global que está orientada ao fortalecimento dos princípios da Carta das Nações Unidas, sem deixar de reconhecer que o sistema cobra reformas profundas.

Enquanto os EUA apostam no unilateralismo, a China se abre para o multilateralismo com foco no chamado Sul Global. Em seu discurso proferido em Tianjin, no dia 1ª de setembro, Xi Jinping reclamou da mentalidade da Guerra Fria e afirmou que “novas ameaças e desafios não deixam de aumentar”.

É difícil se opor ao que propõe a China quando defende igualdade soberana das Nações independentemente do seu poder econômico e militar; quando prega maior democracia nas Relações Internacionais; e quando cobra o rigoroso cumprimento do Estado de Direito Internacional.

“Devemos defender firmemente o status e a autoridade da ONU, e garantir o seu papel insubstituível e chave na governança global”, defendeu o líder chinês.

No entanto, para que a ONU resgate a sua autoridade, muita coisa precisa ser eliminada, começando pelo poder acumulado pelos seus burocratas, que decidem em nome dos países-membros, na maioria das vezes, sem que sejam consultados. Para que esse processo tenha futuro, a ONU precisa focar em resultados visíveis, concretos e objetivos.

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