Vamos precisar nos educar sobre árvores. Elas são um remédio para as ondas de calor, que se tornam mais frequentes
Por Mônica Igreja – DF
Passei os dias pensando no tema dessa coluna – árvores – e de como esse ser vivo anda levando flechadas, sendo maltratado, desprezado pelos estragos que pode causar quando as chuvas torrenciais chegam, e aclamado como salvador quando o calor é tanto que a ausência de sombra é desesperadora.
As árvores são seres vivos que produzem oxigênio – elemento que necessitamos para sobreviver. Fazem limpeza de poluentes do ar como a retenção de gás carbônico e a filtragem de partículas tóxicas, protegem o solo contra a erosão e ajudam a manter os lençóis freáticos, regulam as chuvas e o calor e fornecem alimentos para aves, insetos e para nós humanos.
É salutar dizer que as árvores criam espaços de beleza e de bem-estar como jardins, matas e florestas. Caminhar na natureza é uma prescrição médica, em alguns países, por conta dos efeitos comprovados para a saúde física e mental.
Segundo o pesquisador e professor Ricardo Viani, o Brasil abriga cerca de 8 mil espécies de árvores nativas, sendo que metade só existe aqui no país. A essas 8 mil nativas juntam-se outras 400 espécies trazidas para o Brasil desde o ano de mil e 500.
Viani se dedica a reduzir a ‘cegueira botânica’ (inabilidade de reconhecer plantas e suas variadas formas e a importância delas para o ser humano) por intermédio das árvores e da música. Isso mesmo!
Ele compilou numa playlist três coletâneas de canções escritas e/ou tocadas até o ano de 2022, cujo tema central são as árvores. Para acessar as canções, clique no QR Code que está no livro que Ricardo Viana publicou (2ª edição – 2025), de acesso gratuito: As Árvores e a Música Brasileira.
Em tempos de mudanças climáticas, vamos precisar das árvores mais que nunca! Por conta disso, é necessário que a gente se liberte dessa cegueira, ouvindo música (por que não!) e comece a observar como o poder público e o mundo corporativo e imobiliário (em condomínios) estão cuidando das árvores em seus respectivos espaços.
E, também, cada um nós, em nossos terrenos, em nossos territórios comunitários, em frente às nossas casas e nas nossas calçadas.
Antes de cancelar a árvore como vilã, que deixou a rua sem luz ou caiu sobre o carro, precisamos pensar nos cuidados que ela está recebendo de seu ente responsável. Uma referência para a nossa educação sobre como cuidar das árvores é Ricardo Cardim. Será que a poda está sendo feita corretamente?
Será que a distância entre a guia ou o meio-fio e o local em que foi plantada está adequada? Será que a árvore está recebendo manutenção regular? Será que é uma árvore nativa adequada para aquele espaço urbano? Ou uma árvore exótica não deveria estar ali?
Vamos precisar nos educar sobre árvores. Elas são um remédio para as ondas de calor, que se tornam mais frequentes, e um remédio para os alagamentos e as subidas de nível de córregos e rios nas cidades e nas periferias. Sem árvores, o concreto e o asfalto das cidades ficam ainda mais sufocantes. Reportagem em vídeo do jornalista André Trigueiro mostra a busca por uma sombra.
O Plano Nacional de Arborização Urbana (PlaNAU), depois de receber contribuições da sociedade ao longo de 2025, foi lançado oficialmente na COP30, em Belém (PA) e contém metas nacionais de curto, médio e longo prazos.
Os estados e municípios devem elaborar seus planos e implementá-los considerando os princípios da justiça climática e resiliência urbana.
A cidade em que você mora já tem um Plano de Arborização? As árvores estão bem cuidadas? Esse é um assunto que vai fazer parte da lista de Vote pelo Clima, em 2026.





















