BRB bancava o Banco Master desde 2024

BRB Paulo Henrique Costa Misto Brasil
Paulo Henrique foi o presidente do Banco de Brasília que está sendo investigado/Arquivo/Divulgação
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Diálogos indicam que o banco estatal do DF já funcionava como linha de suporte financeiro ao Master muito antes de qualquer operação

Por Misto Brasília – DF

Mensagens extraídas do celular de Daniel Vorcaro mostram que o Banco Master recorreu a aportes do Banco de Brasília ao menos desde agosto de 2024 para cobrir uma crise de liquidez que se aprofundava mês a mês.

O anúncio oficial da oferta de compra do Master pelo BRB só viria em março de 2025, anotou a Times Brasil.

Os diálogos, obtidos com exclusividade pelo jornal Estadão e reproduzidos com base no noticiário do veículo, indicam que o banco estatal do Distrito Federal já funcionava como linha de suporte financeiro ao Master muito antes de qualquer operação formalizada.

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Em 2 de setembro de 2024, Vorcaro enviou uma mensagem a Augusto Lima, ex-sócio no Master, sinalizando que usaria o depósito compulsório da instituição caso o BRB não transferisse os recursos prometidos naquele dia.

O compulsório é uma reserva obrigatória determinada pelo Banco Central para garantir a liquidez dos bancos e a segurança do sistema financeiro — acioná-lo representaria uma situação de extrema pressão de caixa.

No dia seguinte, Vorcaro voltou a cobrar uma resposta sobre a Cédula de Crédito Bancário que estava sendo negociada, afirmando que a operação estava parada havia 15 dias e que precisava de uma definição imediata. Lima respondeu que a outra parte havia confirmado que liquidaria até quinta-feira.

A partir de julho de 2024, o Master começou a ceder carteiras de crédito consignado ao BRB como forma de viabilizar os aportes.

Até o fim de 2024, essas carteiras tinham lastro real. Segundo as investigações, foi a partir desse ponto que o banco passou a fabricar carteiras falsas para sustentar o fluxo de recursos.

Em agosto daquele ano, Vorcaro demonstrou preocupação ao ser informado de que o BRB poderia não liquidar um dos repasses prometidos.

Em troca de mensagens com Lima, o ex-sócio disse ter uma informação diferente e que os R$ 400 milhões seriam transferidos.

Em dezembro, a pressão havia aumentado. Vorcaro afirmou a Lima que o banco precisava de cerca de R$ 600 milhões em caixa para resolver suas pendências. Lima respondeu que o valor entraria naquela semana.

Carteiras recusadas e empresa de fachada

Em janeiro de 2025, o BRB começou a filtrar as carteiras recebidas do Master e recusou parte delas. Vorcaro cobrou agilidade e Lima explicou que o banco público exigia carteiras de perfil mais selecionado.

Foi nesse período que o Master começou a repassar ao BRB carteiras da Tirreno, empresa que os investigadores identificam como uma estrutura criada pelo próprio Vorcaro para fraudar as operações de injeção de recursos, em triangulação com o banco estatal.

Antes do anúncio oficial da compra, o Master já havia repassado R$ 4,6 bilhões ao BRB em 20 contratos: seis em janeiro, totalizando R$ 1,66 bilhão; seis em fevereiro, R$ 1,82 bilhão; e oito em março, R$ 1,12 bilhão.

O ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa foi preso na quinta-feira (16) na quarta fase da Operação Compliance Zero, sob suspeita de corrupção e irregularidades na compra de R$ 12,2 bilhões em carteiras que as autoridades classificam como falsas.

Vorcaro está preso desde 4 de março e negocia uma delação premiada. As defesas de Vorcaro e de Paulo Henrique Costa não se manifestaram sobre os diálogos publicados pelo Estadão.

A oferta de compra de fatia do Master pelo BRB, avaliada em R$ 2 bilhões, foi vetada pelo Banco Central em setembro de 2025.

O Master foi liquidado em novembro do mesmo ano. Segundo as investigações, o banco cometeu fraudes bilionárias e desviava recursos para seus controladores por meio de uma cadeia de fundos de investimento.

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