Terceirizados do STF estão em estado de greve

STF iluminação 35 anos do ECA Misto Brasil
Iluminação do edifício principal do STF em homenagem aos 35 anos do Estatuto da Criança/Arquivo/Ton Molina/STF
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Empresa contratada para gerir a Rádio e TV Justiça atrasa salários. Abracom critica contratação por pregão

Por Misto Brasil – DF

Um antigo ditado (“Casa de ferreiro, espeto de pau”) parece se encaixar na gestão da área da comunicação do Supremo Tribunal Federal.

Os 80 servidores terceirizados estão em estado de grave e denunciam graves falhas da Fundação para o Desenvolvimento das Artes e da Comunicação (Fundac).

A empresa foi contratada para administrar os veículos de comunicação do STF, como a Rádio e TV Justiça.

Uma das motivações da greve são os atrasos frequentes dos salários.

O salário do mês de maio, por exemplo, que devia ter sido pago até o dia 8, ainda não havia sido depositado até o dia 10. A situação se repete a cada mês, segundo os funcionários.

As verbas do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) também não são recolhidas há quase um ano, segundo os sindicatos dos jornalistas e dos radialistas.

A empresa possui um histórico de reclamações trabalhistas, o que levou o Supremo a impedir a participação em um próximo edital, orçado em mais de R$ 30.milhões.

A Fundac, contudo, obteve na Justiça o direito de participar do certame, embora tenha perdido a disputa.

Com isso, uma nova empresa deverá assumir a operação, o que gera mais receio entre os funcionários. O medo é que, ao deixar o contrato com o Supremo, a Fundac não honre os direitos atrasados nem pague verbas rescisórias devidas.

A ausência de recolhimento obrigatório de direitos trabalhistas pela fundação já foi motivo de suspensão de contrato na Câmara dos Deputados.

Onde começa o erro

A falha começa na forma da contratação dos serviços, segundo a Associação Brasileira das Agências de Comunicação (Abracom), que considera inadequado a modalidade de pregão para os serviços de comunicação institucional, corporativa, produção de conteúdo e relacionamento com a sociedade.

A entidade divulgou em nota dizendo que a contratação de serviços de comunicação, baseada prioritariamente em critérios de menor preço, não assegura a capacidade técnica, a continuidade operacional e a qualidade exigidas para atividades essenciais ao interesse público.

“Temos uma necessidade urgente de que os processos de contratação considerem critérios técnicos, compatíveis com a complexidade desses serviços”, comentou a diretora de Assuntos Institucionais para o Setor Público, Márcia Leite.

“O pregão traz um risco grave para a administração pública”.

A Lei nº 14.356/2022 – que alterou a lei das licitações de publicidade, reconhece a comunicação institucional e corporativa como serviço de natureza predominantemente intelectual e estratégica.

De acordo com a entidade, o episódio reforça a necessidade de consolidação dos modelos de melhor técnica e/ou técnica e preço, já adotados para a contratação de serviços de comunicação institucional em diversos órgãos e autarquias nas esferas federal, estadual e municipal.

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