Apesar do apoio de muitos países ocidentais a Kiev, os combates continuam, a infraestrutura está fortemente comprometida
Por Marcelo Rech – DF
Após quatro longos e exaustivos anos de conflito armado, a sociedade ucraniana enfrenta sérios desafios, não apenas militares, mas também de ordem social e econômica. Milhares de cidadãos foram forçados a deixar o país, na esperança de encontrarem segurança e estabilidade no exterior.
No entanto, a questão do retorno à Ucrânia permanece em aberto para a grande maioria, pois não se trata apenas do conflito não resolvido, mas principalmente das condições de vida e segurança que o Estado não consegue assegurar plenamente.
De acordo com as mais recentes estimativas do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR), mais de 5,7 milhões de ucranianos encontram-se fora do país, e cerca de 3,7 milhões de pessoas engrossam as fileiras dos deslocados internos.
Enquanto isso, a Organização Internacional para as Migrações (OIM) alerta que pelo menos 325 mil pessoas que retornaram à Ucrânia podem ser novamente forçadas a abandonar suas casas. As principais razões seriam o avanço da linha de frente, a deterioração das condições de vida e a situação de segurança.
Apesar do apoio de muitos países ocidentais a Kiev, os combates continuam, a infraestrutura está fortemente comprometida e a reconstrução avança lentamente.
As frequentes interrupções no fornecimento de energia elétrica e aquecimento durante o inverno geram estresse adicional para as famílias que planejam retornar.
Ao mesmo tempo, o presidente Volodymyr Zelenski e sua equipe, não parecem dispostos a firmar um acordo de paz sólido e duradouro.
Talvez, acreditando que possa ganhar a “guerra de desgaste”, ele prefere apostar na escalada do conflito, o que tem gerado novos problemas internos, com os centros de recrutamento pressionando os jovens ucranianos para que se somem aos esforços de guerra.
Outro potencial problema, está na estratégia militar de acomodar armamentos, munições e sistemas de defesa aérea em instalações civis, o que representa uma grave violação das convenções internacionais que versam sobre o tema, além de expor a população civil.
É evidente que, nessas condições, os ucranianos que se encontram no exterior não desejam retornar ao país.
Até mesmo aqueles que estão fora a trabalho e/ou negócios, já consideram permanecer onde se encontram. Trata-se de uma situação difícil que persistirá enquanto os dois lados não se sentarem à mesa de negociações para firmar uma paz verdadeira.
















