A turma da Faria Lima e do agronegócio perdeu a confiança no Flávio diante se sua postura conivente com o tarifaço de Trump.
Por Álvaro Reinaldo de Souza e Edmundo Lima de Arruda Jr – RJ
Em política não se pode adivinhar, tampouco evitar o improvável. Os que acreditam na inelutável vitória eleitoral de um ou de outro campo polarizado, enganam-se. Tudo poderá mudar no tabuleiro do xadrez político. Mormente diante de uma eleição fantasiada de referendo e minada de armadilhas.
Bolsonaristas apostam numa simplificação. Lula da Silva é o sistema falido e Flávio, a oposição saneadora . O mote da campanha é: “somos anti-lula”. Já Lula opera numa redução oportunista: carimba em bloco os liderados por Jair Bolsonaro como golpistas fascistas.
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Não obstante o tempo turvo, hoje o quadro permite alguma previsibilidade. No tabuleiro do xadrez político o jogo indica uma ligeira tendência: a do chequemate do jogador mais preparado.
Lula está bem e mal. Bem no governo, a julgar pela dimensão macro. Inflação controlada, PIB bom, bilhões de dólares em reservas. Mal, internamente, porque ninguém aguenta mais o Lulopetismo. Não se trata somente da aversão bolsonarista pelo PT, pela esquerda. Há um teto para a ultradireita. Ela precisa, pasmem, disputar votos e de setores não bolsonaristas,à direita deles e à sua esquerda.
Há inclusive petistas e cidadãos vinculados à grande frente lulopetista, descontentes, pensando da mesma forma: um ciclo da esquerda está esgotado. Teoricamente marxistas denunciam a dissoluçâo do transformismo, ou acordo caracu com o Capital financeiro. Lula sabe disso e promete, um tanto tardiamente, levar a sério as causas do problema Brasil.
Com isso ganha um suspiro junto a intelectuais descrentes. Daí um dos vetores para ganhar as eleições de outubro.
Lula da Silva é animal político
Ninguém sabe fazer política mais do que ele. Um gigante. Senão, vejamos. Fechou com Ciro e com o PP. Jantou Motta e Alcolumbre, aparando muitas arestas. O Estadão de hoje (8.8.26) revela a jogada. Um acordo para impedir qualquer processo de impeachment na próxima legislatura.
Há muitas variáveis a serem consideradas nesta eleição. Cleitinho em MG foi cuidar do lado dele. E Tarcísio fará corpo mole. Está consciente que se Flavio for eleito, estará fora do jogo em 2030.
O calcanhar de Aquiles de Lula é SP, não por Tarcisio, mas porque Haddad não têm votos significativos fora da capital. impostos demais sobre a classe média e pequeno e médio empresários têm peso negativo e os grandes estão com Tarcísio.
Quanto a Zema e Caiado: o primeiro vai virar piada quando vier à tona o desastre que foi o seu governo e o enriquecimento de amigos muito próximos. Já Caiado ampliar os votos, pois o PSD tem muita capilaridade, realçando a campanha na segurança (que Flávio elegeu como prioritária, mas é incapaz de apresentar um plano sobre).
Caiado rouba votos do Flávio no primeiro turno e ajudará, quiçá, Lula ganhar no primeiro turno, pela primeira vez. Se houver segundo turno o governador goiano não transferirá seus votos em bloco para o candidato bolsonarista.
Hoje a avaliação, hoje… , é que Lula da Silva vencerá a eleição presidencial. Trump e Flávio são dois bons cabos eleitorais. A turma da Faria Lima e do agronegócio perdeu a confiança no Flávio diante se sua postura conivente com o tarifaço de Trump. Essa gente do rentismo odeia perder dinheiro.
Lula da Silva no quarto governo vai buscar uma maior participação do Centrão, assegurando uma transição com medidas reformistas para o próximo governo. Afastar a ultradireita talvez passe pela aposta de Lulz no retorno à uma direita liberal com propósitos democráticos. Lula não fez sucessorce sabe que a esquerda derreteu..
Camilo é de centro. Um centro que poderá vir em 2030 com Tarcísio, já livre dos Bolsonaros. E com apoio de Lula da Silva, quem sabe. Nosso Macunaíma é cheio de truques,ja lembrava Chico de Oliveira.
A provável vitória de Lula da Silva descortina um cenário nada alviçareiro pois a extremadireita continuará seu fortalecimento ideológico, namorando e cooptando setores da direita liberal autoritária. Está se alimenta da desinformação e das dificuldades estruturais, mas também graças às dificuldades do lulismo em reeditar o transformismo, efetivamente, num sentido de políticas profundas, muito além daquelas reparação de danos.
O transformismo “3” não é algo ruim no imediato, mas absolutamente insatisfatório a médio e longo prazo por procrastinar a produção de movimentos sociais com capacidade de transformar a cultura política, as coisas e organizações no sentido emancipatório. É dizer, no sentido de eliminar desigualdades.
Lula da Silva sabe que o que sobrar do PT acaba nessa eleição. Uma oportunidade, talvez, para uma radical mudança de compreensão e de comportamentos da esquerda tradicional. Uma tarefa quase impossível, mas necessária. A esquerda encontra-se órfã de conceitos e líderes à altura do profundo desafio de tirar o país do Abismo.
*(Álvaro Reinaldo de Souza e Edmundo Lima de Arruda Jr sâo professores titulares aposentados da UniRIO e UFSC)















