Guerra das Malvinas completa quatro décadas

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A Guerra das Malvinas começou com a invasão argentina na ilha/Arquivo
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A disputa entre a Argentina e o Reio Unido ainda provoca grandes discussões entre os argentinos

Campo minado é o nome da peça que está sendo apresentada em Buenos Aires e que reúne veteranos argentinos e britânicos que lutaram na Guerra das Malvinas (de 2 de abril de 1982 a 14 de abril de 1982, com vitória do Reino Unido), uma guerra que marcou profundamente a história do país sul-americano, a ponto de ser objeto de estudos acadêmicos, livros, documentários e até mesmo filmes.

Quarenta anos após a tentativa de tomar o controle territorial das ilhas por meio de uma invasão que o tempo mostrou ser improvisada, a Argentina está mais uma vez refletindo sobre o que aconteceu, os erros e a marca indelével de um confronto que durou 10 semanas e deixou 649 militares argentinos mortos.



“A guerra marcou o país porque a causa da recuperação das Ilhas Malvinas, ocupadas pelo Reino Unido desde 1833, é uma causa nacional. É algo que se ensina nas escolas, durante gerações fomos educados com a ideia de recuperar as ilhas”, disse à DW o historiador e escritor Federico Lorenz, autor de inúmeros livros sobre o assunto, incluindo Todo lo que necessitas saber sobre Malvinas

“Quando o desembarque aconteceu, os soldados tinham muito apoio popular”, explica Lorenz. O problema surgiu após a derrota, quando o país foi repentinamente confrontado com duas realidades devastadoras, acredita o especialista.


“Quando a guerra terminou com a derrota da Argentina, foi tremendamente frustrante porque nos fez perceber que estávamos vivendo sob uma ditadura. E a perda do medo da ditadura de Leopoldo Galtieri devido ao fracasso militar nos levou a denunciar os crimes que haviam sido cometidos desde 1976. Diríamos que foi uma sobreposição de dois choques: a derrota nas ilhas e a dor de ver o país em que estávamos vivendo”, diz ele.

O distúrbio de estresse pós-traumático atingiu duramente muitos combatentes e um número desconhecido, entre 300 e 450 deles, cometeu suicídio após a guerra. Outros enfrentam seus demônios escrevendo ou formando grupos para reivindicar seu papel de combatentes e, em muitos casos, também como vítimas.


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