A primeira semana de 2018 foi ruim para o governo. Em poucos dias, erros e percalços deixaram a sensação de que nada mudou em relação a 2017. O Planalto dança a mesma música do ano passado.
Tal qual a crônica de uma morte anunciada, foram registradas novas rebeliões em presídios. Dessa vez o destaque foi Goiás onde, repetindo janeiro de 2017, mortes foram registradas. O sistema prisional está em colapso, é fato, e há um ano esperam-se respostas efetivas do governo. Tudo em vão, até agora.
O Planalto também segue gerando inúteis e dispensáveis polêmicas. O debate em torno do possível fim da “regra de ouro” é o exemplo mais acabado. Temer e aliados não tinham ideias ou propostas concretas para a questão e, mesmo assim, colocaram-na na rua. Imprensa, opinião pública e mercado reagiram negativamente e a equipe econômica foi obrigada a se explicar e recuar. Erro de estratégia que gerou um pequeno e desnecessário desgaste.
A Esplanada, por seu turno, ferve. Ministros demissionários deixam claro que a preocupação maior é com a sobrevivência política e não com a agenda governista. Clima de fim de festa.
O ponto alto, porém, é a comédia de erros em torno da nomeação da deputada petebista Cristiane Brasil para o ministério do Trabalho. A indicada, filha de Roberto Jefferson, tem processos trabalhistas nas costas e quita essas pendências de maneira irregular. A Justiça agiu e concedeu liminar suspendendo sua posse. Mesmo que a situação resolva-se de maneira favorável ao Planalto, o estrago estará feito.
Certa vez, Chico Buarque falou da necessidade de se criar um “ministério do vai dar m…” – com uma figura que acompanhasse as decisões do governo e dissesse “não façam, vai dar m…”. O governo Temer, que começou 2018 com os dois pés esquerdos, necessita urgentemente da solução Chico Buarque.
























