O partido de Milei, La Libertad Avanza (LLA), saiu vitorioso das eleições legislativas, que renovaram metade da Câmara e um terço do Senado
Por Alexandre Schossler – RJ
O presidente da Argentina, Javier Milei, obteve neste domingo (26) o aval dos eleitores para seguir adiante com sua reforma radical da economia, apesar das amplas críticas às medidas de austeridade por ele adotadas.
O partido de Milei, La Libertad Avanza (LLA), saiu vitorioso das eleições legislativas de meio de mandato, que renovaram metade da Câmara dos Deputados e um terço do Senado, com cerca de 40% dos votos. O resultado foi bem melhor do que o esperado por Milei e seus apoiadores. A oposição peronista obteve cerca de 25%.
A boa votação pode ser entendida como um amplo apoio da população argentina ao governo de Milei, que completará dois anos no poder em dezembro. A maior conquista dele foi a redução da inflação por meio de um severo plano de ajuste que, do outro lado, gerou desemprego, precariedade no mercado de trabalho e turbulência nos mercados financeiros e elevou a dívida do país.
Os escândalos e as alegações de corrupção envolvendo o presidente e seus colaboradores próximos, incluindo sua irmã Karina, tiveram pouco efeito nas urnas.
A aproximação de Milei com o governo do presidente dos EUA, Donald Trump, os empréstimos concedidos ao país pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) e a ajuda financeira do Tesouro dos EUA para apoiar o peso argentino parecem ter sido aceitos pela população.
As eleições eram decisivas para a agenda ultraliberal de Milei e lhe dão margem de manobra para levar adiante suas políticas de ajuste econômico e desregulamentação da economia nos dois anos finais do seu mandato.
Durante a campanha eleitoral, Milei declarara que seu objetivo era conquistar um terço das cadeiras na Câmara dos Deputados para sustentar suas reformas. Ele não só conquistou esse objetivo como também chegou muito perto de alcançar um terço do Senado, considerando a aliança estratégica com o partido de direita PRO.
Após a vitória, Milei declarou que vai implementar “as reformas que ainda faltam” e que o novo Congresso será fundamental para garantir esse rumo. “Durante os próximos dois anos, temos de fazer avançar o caminho reformista que iniciamos”, disse.
“Teremos, sem dúvida, o Congresso mais reformista da história da Argentina”, acrescentou.
Vitória também para Trump
Os resultados também agradaram ao presidente Donald Trump, cujo governo enfrentou críticas após conceder um vultoso resgate financeiro à Argentina.
Para conter a desvalorização do peso, Milei queimara bilhões de dólares em reservas cambiais. Numa ação extraordinária, o governo Trump ofereceu um resgate no valor de 40 bilhões de dólares, incluindo um swap cambial de 20 bilhões de dólares já assinado e uma proposta de linha de crédito de mais 20 bilhões.
Trump condicionara a ajuda à Argentina a uma vitória de Milei nas urnas. “Se ele vencer, ficaremos com ele; se não vencer, sairemos”, disse no início do mês, após receber Milei na Casa Branca.
Neste domingo, o presidente americano felicitou o argentino pela “vitória esmagadora” nas eleições legislativas. “Ele está fazendo um excelente trabalho! O povo argentino justificou a nossa confiança nele”, escreveu Trump na rede social dele, a Truth Social.
(Alexandre Schossler trabalha na Agência DW)





















