A igualdade de gênero e raça no Oscar de 2018

Compartilhe:

Os movimentos #MeToo (Eu também) e “Time’s Up” (Acabou o tempo), contra o assédio sexual sofrido por mulheres, levantaram um debate urgentemente necessário sobre a igualdade de gênero na indústria do cinema, o que representou um golpe contra a fachada glamorosa de Hollywood.

Neste ano, apenas quatro dos 20 indicados ao Oscar 2018 nas categorias de melhor atuação são negros. Entre os candidatos a melhor diretor, Jordan Peele, de Corra!, se tornou o quinto negro da história do Oscar a concorrer na categoria.

Mas muito se deve também a uma mudança entre os 8.500 membros da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas que decidem os vencedores do Oscar, após intensos protestos contra a pouca representação feminina e negra. Grande parte dos 1.500 membros convidados a fazer parte da organização nos últimos dois anos é formada por mulheres e negros.

Em 2018, pela primeira vez em 90 anos de premiação, uma mulher foi indicada ao Oscar na categoria de melhor fotografia: a americana Rachel Morrison, diretora de fotografia do drama Mudbound: Lágrimas sobre o Mississipi. A cerimônia de entrega dos prêmios ocorre neste domingo (04).

O filme da Netflix aborda a discriminação racial no sul dos Estados Unidos após a Segunda Guerra Mundial. A diretora do longa, Dee Rees, é a primeira mulher negra a concorrer na categoria de melhor roteiro adaptado, ao lado do roteirista Virgil Williams.

Além disso, a americana Greta Gerwig tornou-se a quinta mulher na história da premiação a ser indicada como melhor diretora, por Lady BirdÉ hora de voar, que, aliás, conta a história de amadurecimento de uma garota de personalidade forte em seu último ano de ensino médio.

Ao todo, entre os 199 indicados neste ano, apenas 46 mulheres concorrem ao prêmio. E elas não estão nem presentes em todas as categorias: não há indicações femininas aos prêmios de melhores efeitos visuais, melhor edição de som e melhor trilha sonora original, por exemplo.

A pouca representação feminina é, no entanto, um problema que aflige a indústria cinematográfica como um todo, e acaba se refletindo no Oscar, segundo mostrou uma pesquisa recente do Centro de Estudos sobre Mulheres na Televisão e no Cinema, com base em San Diego.

A proporção entre homens e mulheres nos bastidores das 250 maiores produções cinematográficas dos últimos 20 anos pouco mudou: cerca de 80% das pessoas atrás das câmeras são homens, uma porcentagem que se manteve constante ao longo desse período, afirmou o estudo.

Ao analisar mil filmes produzidos entre 2011 e 2015, o grupo concluiu que, em mais de 90% dos casos, o som ficou nas mãos de homens, assim como 85% das funções de câmera. (Da DW)

PARTICIPAÇÃO DO LEITOR

Participe desta discussão

Compartilhe sua opinião sobre este assunto. As participações passam por análise editorial antes de qualquer utilização no site.

Seu e-mail não será publicado.
Entre 20 e 3.000 caracteres.

Assuntos Relacionados

Siga o Misto Brasil

Acompanhe em todas as redes

Notícias, vídeos e destaques em tempo real. Escolha sua rede favorita.

Dica: acompanhe também pelo WhatsApp para receber atualizações rápidas.

Brasília e Entorno do DF

Oportunidades