O risco, segundo o papa, é que os seres humanos sejam reduzidos a “meras engrenagens de um sistema para uma eficiência cada vez maior”
Por Misto Brasil – DF
O papa Leão 14 assinou a primeira encíclica de seu pontificado com um alerta sobre os riscos da inteligência artificial (IA).
O documento “Magnifica humanitas” afirma que a IA “ameaça normalizar uma visão anti-humana” e que a concentração de imenso poder digital nas mãos de poucos atores privados precisa ser combatida.
O risco, segundo o pontífice, é que os seres humanos sejam reduzidos a “meras engrenagens de um sistema orientado para uma eficiência cada vez maior”.
O documento foi publicado nesta segunda-feira (25) e foi assinado com a data de 15 de maio, coincidindo com o 135º aniversário da encíclica “Rerum Novarum” do papa Leão 13, também publicada em 15 de maio de 1891.
A apresentação ocorreu no Salão Sinodal, no Vaticano, com a presença do próprio Leão 14.
Para descrever os caminhos que a humanidade pode seguir, o papa recorreu a duas imagens bíblicas.
“A escolha primária não é entre um ‘sim’ ou um ‘não’ à tecnologia, mas entre construir Babel ou reconstruir Jerusalém”, escreveu.
Na metáfora papal, a Torre de Babel representa um projeto grandioso e imposto de cima para baixo, movido pelo orgulho, pelo lucro e pela busca de homogeneização. Jerusalém, ao contrário, simboliza a reconstrução coletiva e a coexistência fraterna entre povos diferentes.
A encíclica foi aguardada com atenção por governantes, líderes empresariais e grupos religiosos que veem a Igreja Católica, maior denominação cristã do mundo, como referência ética nos debates sobre regulação de tecnologia.
O pontífice foi explícito ao cobrar ações concretas dos governos.
“Não basta invocar a ética de forma abstrata; são necessários marcos legais robustos, supervisão independente, usuários informados e um sistema político que não abdique de sua responsabilidade”, escreveu.
A perspectiva de desemprego em massa causado por inovações digitais foi chamada pelo papa de “uma verdadeira calamidade social”.
Leão 14 acrescentou que “a tecnologia nunca é neutra, porque assume as características daqueles que a concebem, financiam, regulam e utilizam”.

















