EUA e China, a guerra fria pela América Latina

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Xi Jinping e Donald Trump conversam em jardim do palácio presidencial chinês/Arquivo/Xinhua/Li Xiang
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Não é novidade que os EUA operam para expulsar empresas chinesas da região, de forma muito específica, do Brasil

Por Marcelo Rech – DF

Os EUA e a China estão em plena guerra fria pela América Latina e esse jogo pesado de poder pode comprometer seriamente a soberania regional, especialmente dos países ricos em minerais estratégicos.

Para muitos, a postura americana denota um alto grau de neocolonialismo contemporâneo, enquanto a China se oferece para ampliar investimentos que podem resultar numa armadilha no longo prazo.

O retorno de Donald Trump à Casa Branca e a designação de Marco Rubio como Secretário de Estado, têm promovido mudanças significativas na Política Exterior americana para a região. Washington deixa claro que pretende influenciar de forma significativa os rumos para a América Latina.

Apesar de uma suposta igualdade, os EUA querem mesmo é ditar suas condições. Em alguns casos, como no combate à criminalidade organizada, um câncer que atinge toda a região e está enraizado em todas as esferas de poder, determinadas iniciativas, são bem vistas – principalmente por conta do fracasso e/ou da leniência dos governos latino-americanos em lidar com o problema.

Em muitos outros, as ações americanas colocam em xeque a autonomia de países soberanos.

No entanto, o que os EUA parecem ter como alvo principal é a China e sua expansão regional por meio de investimentos pesados em áreas absolutamente estratégicas, como energia e minerais. Obviamente, os EUA não estão preocupados com a agressividade predatória chinesa, mas com seus próprios interesses que se verão afetados.

Não é novidade que os EUA operam para expulsar empresas chinesas da região, de forma muito específica, do Brasil. Um dos focos é a Huawei que segue operando no país.

A Casa Branca considera a empresa e sua tecnologia, uma ameaça objetiva contra a segurança nacional dos EUA.

Com o tarifaço de Trump, Pequim viu mais uma oportunidade para estreitar ainda mais as relações econômico-comerciais com o Brasil, avançando, inclusive, para as áreas de tecnologia, inovação e defesa.

Já em 2024, os EUA apelaram ao Brasil para que o país não aderisse à iniciativa chinesa “Um Cinturão, Uma Rota”.

O que resta ao Brasil e aos demais países latino-americanos é avaliar até que ponto essa guerra entre dois gigantes, pode comprometer o desenvolvimento regional e seus próprios interesses geopolíticos.

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