O Centrão enfraquece o ministro Paulo Guedes e o senador Rodrigo Pacheco deve ingressar no PSD
Texto de André César
– Concluída a minirreforma ministerial, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) terá, em tese, melhores condições para enfrentar o difícil semestre que está para se iniciar.
– Na Casa Civil, Ciro Nogueira (PP-PI) trabalhará, de um lado, para blindar o titular do Planalto contra um processo de impeachment e, de outro, tentará melhorar as relações entre Executivo e Legislativo.
– Já o ingresso de Onyx Lorenzoni (DEM-RS) na recriada pasta do Emprego e Previdência funciona mais como uma espécie pela lealdade do gaúcho a Bolsonaro.
– O novo ministério, por sinal, enfraquece ainda mais o ministro da Economia, Paulo Guedes, que assiste ao desmonte de sua pasta. Está no radar do governo a recriação dos ministérios da Indústria e Comércio Exterior e do Planejamento – esse último cobiçado pelo Centrão -, o que retiraria de vez os “superpoderes” do czar da economia.
– No âmbito do Congresso Nacional, o presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), anunciou como prioridades para votação nos próximos meses a privatização dos Correios e as reformas tributária e política.
– Entre os partidos, é esperada intensa movimentação. O presidente do Senado Federal, Rodrigo Pacheco, deve deixar o DEM e ingressar no PSD. Com isso, Gilberto Kassab vai consolidando seu projeto eleitoral para 2022 – participar em uma chapa forte na sucessão presidencial, com o próprio Pacheco ou o prefeito de Belo Horizonte, Alexandre Kalil.
– No campo governista, a bola da vez é o ministro das Comunicações, Fábio Faria. Ele deve migrar do PSD para o PP, e seu nome é hoje cotado para integrar a chapa presidencial de Bolsonaro, como candidato a vice.
– Bolsonaro, por sinal, segue enfrentando dificuldades para filiar-se a um partido. A opção mais recente, o PP, pode não se concretizar, pois diversas lideranças estaduais não aceitam a presença do presidente na legenda. Agora, o PTB torna-se uma alternativa politicamente viável.
– Por fim, a sucessão paulista passa diretamente pelo ex-governador Geraldo Alckmin. Ele está prestes a romper com o PSDB, do qual participou da fundação em 1988, e pode ingressar no PSD. A presença de Alckmin no campo adversário será uma ameaça real à hegemonia do tucanato no estado.






















