O cabeleireiro brasileiro Deir dos Santos, um dos autores do processo contra o governo britânico no caso do Brexit, disse – por meio de seu advogado – que recebeu ameaças de morte depois de a Alta Corte do Reino Unido ter decidido na quinta-feira que o país não poderá iniciar o processo de saída da União Europeia sem aprovação do Parlamento.
Deir, que é cidadão britânico, nasceu no Rio de Janeiro e, segundo seus representantes, não está falando com a imprensa por causa das intimidações. Mesmo tendo votado pela saída da União Europeia, Deir fez inimigos entre seus partidários.
Ele foi criticado nas redes sociais e mesmo na mídia britânica – o colunista Richard Littlejohn, do jornal Daily Mail, conhecido por sua posição pró-Brexit, publicou um artigo dizendo que a decisão judicial foi uma “vitória dos inimigos da democracia” e que o “Brexit não pode ser atrapalhado por um cabeleireiro brasileiro”.
O advogado David Greene, que o representa na ação, disse à BBC Brasil que, apesar de “perturbadoras”, as ameaças não serão registradas oficialmente porque seu cliente resolveu ignorá-las.
“Toda a questão do Brexit despertou reações incandescentes e muitas pessoas têm sentimentos muito fortes em relação à isso”, explicou Greene, cuja firma, a Edwin Coe, assumiu a ação sem cobrar taxas legais de Deir.
“No entanto, isso não significa que pessoas exercendo seu direito democrático devem ser sujeitas a abuso e ameaças.”
Por causa das reações inflamadas, muito pouca informação sobre Deir foi divulgada – seu advogado não quis detalhar de que parte do Rio de Janeiro o brasileiro vem, há quanto tempo está no Reino Unido ou como conseguiu a cidadania britânica.
















