Haveremos de ressurgir

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O povo não precisa de heróis – tem vilões de sobra e por isso precisamos de um chamamento

Por Vinício Carrilho Martinez  e André Pereira César – SP

Passada a ressaca do mar bravio, em nossos Tristes Trópicos, haveremos de ressurgir.

Como escreveu Otto Lara Resende, “hoje é um bom dia para nascer“.

Façamos, do futuro, o nosso presente.



Em tempos tão nebulosos, tempos sombrios, obscuros – antagônicos à Humanidade, contrários à dignidade, opostos ao bom senso e à solidariedade, contraditórios ao conhecimento e à igualdade -, é fundamental pensarmos na Democracia, na Constituição, na República (“honeste vivere”), na liberdade e na educação como direito fundamental.

A reinvenção da Paideia – a cultura como “educação para a civilidade” – nunca foi tão precisa e necessária. É precisa como a bússola que nos guia no interior da Carta Política.

É precisa, porque precisamos com urgência dessa Carta Náutica, sobretudo, em tempos de maremotos e tempestades perfeitas. É precisa a fim de que nos conduza ao equilíbrio, à marola da decência.

E precisamos que essa educação política nos embale para (re) ler e praticar o reconhecimento constitucional, pondo em prática, evidentemente, um ato preciso e decidido de Limpeza Pública – o próprio corolário do artigo 37 da Constituição Federal de 1988: Limpe. Acrônimo de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência.



Precisamos de uma educação política que limpe toda a sujeira de nossa história, que limpe o caminho do povo – frente a todos os atos desumanos que foram interpostos.

O povo não precisa de heróis – tem vilões de sobra. O povo não necessita de mitos ou de Messias – muito menos de anjos decrépitos e decaídos. O povo não requer tutores, curadores, interventores e, absolutamente, nenhum Pai da Pátria.

O povo precisa ser preposto de si mesmo.

A consciência que se costura na cultura popular (Paideia Libertária) será o entreposto de todas e todos que procurem por sua própria “sabedoria de libertação”.

Com isso, assim posto, ainda é preciso – como a necessidade que põe numa linha reta – elucidar a ação política que se aprende e ensina fazendo-se; mas, também, lendo (o mundo) e lendo-se dentro da realidade do nosso mundo.

Para essa ação, cabe-nos adiantar, precisamente, um chamamento de Marx & Engels no Manifesto: “Trabalhadores de todo o mundo, Uni-vos!”.



Para o princípio educativo que faz política ao se libertar, que promove a política de libertação – portanto, que faz da Política (Polis) a própria libertação do “Homem Político” -, para esta Educação Libertária (humanizadora em ato consciente), sempre teremos Paulo Freire, notadamente, quando nos indica o caminho livre e transposto pela Consciência Transitiva:

“Aos esfarrapados do mundo
E aos que neles se descobrem
E, assim descobrindo-se,
Com eles sofrem, mas, sobretudo,
Com eles lutam”
*Pedagogia do Oprimido

Lutemos, pois, por um Brasil livre do fascismo – faça-mos uso da vertù contra furore, que nossa luta se espraie bem depressa.

Façamos nossa Paideia agora mesmo

Os fascistas não ficarão!!

(Vinício Carrilho Martinez é cientista social e André Pereira César cientista Político e articulista do Misto Brasília)



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