Nicarágua sai da Unesco após jornal da oposição ganhar prêmio

Daniel Ortega presidente Nicarágua Misto Brasília
Daniel Ortega foi eleito pela quarta vez consecutiva presidente da Nicarágua/Arquivo/Al Jazeera
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A instituição internacional deixará de prestar assistência ao povo nicaraguense, um dos mais pobres do continente

Por Misto Brasil – DF

Nicarágua anunciou que vai se retirar da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) em retaliação a homenagem feita ao jornal de oposição La Prensa, que está proibido de atuar no país e sobrevive do trabalho de jornalistas em exílio.

A organização concedeu no sábado o prêmio Guillermo Cano de liberdade de imprensa de 2025 ao jornal por “levar a verdade ao povo da Nicarágua”, de acordo com o presidente do júri do prêmio, Yasuomi Sawa.

No domingo, em carta enviada à diretora-geral da Unesco, Audrey Azoulay, o ministro das Relações Exteriores da Nicarágua, Valdrack Jaentschke, anunciou sua “decisão soberana e firme” de deixar a organização devido às suas “ações inaceitáveis” contra o país.

Segundo o ministro, o La Prensa “representa a vil traição dos Estados Unidos”.

Azoulay lamentou a saída da Nicarágua. “Lamento esta decisão, que privará o povo da Nicarágua dos benefícios da cooperação em áreas como educação e cultura”, afirmou, em comunicado.

A organização está “totalmente dentro de seu mandato” de defender a liberdade de expressão e a liberdade de imprensa, disse Azoulay, segundo a DW.

A Unesco visa promover a educação, a ciência e a cultura e trabalha para a preservação do patrimônio cultural e natural em todo o mundo.

Seus estados membros criaram o Prêmio Mundial de Liberdade de Imprensa em 1997 – único prêmio da ONU concedido a jornalistas – e o batizaram em homenagem a Guillermo Cano Isaza, jornalista colombiano assassinado em Bogotá, em 1986.

Entre os laureados recentes estão a principal organização de jornalistas independentes da Bielorrússia, premiada em 2022, e os jornalistas presos em Mianmar por reportagens sobre a repressão brutal dos militares contra os muçulmanos Rohingya, em 2019.

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