Desde 1979, com a Revolução Islâmica, o Irã se tornou um pária para o mundo muçulmano
Por Marcelo Rech – DF
Após o ataque terrorista do Hamas, de 7 de outubro de 2023, o governo de Israel decidiu que era momento de pôr fim àqueles que aterrorizam e seus financiadores. Debilitado politicamente, Benjamin Netanyahu declarou guerra ao terrorismo em pelo menos quatro frentes: Gaza, Líbano, Iêmen e Irã.
Em Gaza, o Hamas só governa pelo medo imposto aos palestinos. No Líbano, o Hazbollah junta os cacos. No Iêmen, os Houthis foram quebrados, pediram arrego aos EUA e os iemenitas começam a esboçar reação. No Irã, os regime autoritário e fundamentalista balança.
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Desde então, os golpes aplicados por Israel têm sido extremamente duros. Apesar do reconhecimento internacional de que o país tem direito de defender-se, uma avalanche de críticas tomou conta da opinião pública internacional, contra as ações de Netanyahu.
Ainda assim, o primeiro-ministro não arredou pé e intensificou os ataques.
Ao mirar no Irã, após fraturar seriamente Hamas, Hezbollah e Houthis, todos financiados por Teerã, Israel está fazendo o serviço sujo que europeus e árabes desejam, mas não têm coragem de apoiar. O problema não é tanto o Irã desenvolver tecnologia nuclear, mas o seu propósito. Israel possui armas nucleares, mas o seu desenvolvimento não tem como objetivo, destruir outro Estado.
É uma diferença que pode parecer sutil, mas não é. Israel aceita a divergência, o Irã não. Os árabes sunitas aceitam o reconhecimento do Estado de Israel e sempre foram refratários aos palestinos. Aliás, os árabes se matam há décadas e isso nunca sensibilizou a comunidade internacional. Defender os palestinos virou grife.
Bilhões de dólares e euros foram despejados em Gaza e no Iêmen, mas os terroristas privaram seus povos priorizando as guerras. O Qatar abriga líderes do Hamas em hotéis de luxo, enquanto os palestinos são usados como escudos humanos pelos covardes.
Além disso, a Arábia Saudita rivaliza com o Irã e não aceita a influência persa na região. A destruição do regime dos aiatolás é muito bem-vinda para os sauditas.
A própria Liga dos Estados Árabes, integrada por 22 países, preferiu manter o silêncio após os ataques dos EUA contra as três principais usinas nucleares iranianas.
Os árabes refutam a ideia de um Irã armado com uma bomba nuclear, ao mesmo tempo em que não temem Israel, pois sabem que Tel Aviv não representa uma ameaça.
Desde 1979, com a Revolução Islâmica, o Irã se tornou um pária para o mundo muçulmano. Admiti-lo é politicamente complicado, mas um Irã debilitado com uma Guarda Revolucionária destruída e um Programa Nuclear acabado, é tudo que desejam.















