Embora a tributação seja um fator central, a busca de empresários pelo Paraguai envolve também questões operacionais
Por Misto Brasil – DF
A elevada carga tributária, a burocracia e a insegurança regulatória vêm reduzindo a competitividade das empresas brasileiras e estimulando a migração de parte da produção para o Paraguai.
A observação é do advogado tributarista Rômulo Martins, sócio do Lacerda Diniz Machado, conforme o Times Brasil.
Segundo ele, o avanço do chamado regime de maquila representa um sinal de alerta para o ambiente de negócios no Brasil.
“O Brasil já vem há longa data enfrentando uma questão tributária muito delicada, que tira atratividade e competitividade das empresas brasileiras”, afirmou Martins nesta quarta-feira (27) em entrevista ao Pré-Market, jornal do canal.
Para ele, embora a tributação seja um fator central, a busca de empresários pelo Paraguai envolve também questões operacionais, trabalhistas e regulatórias.
O especialista explicou que o Paraguai estruturou, desde 1997, um modelo voltado à atração de empresas estrangeiras com foco em exportação e redução de custos produtivos.
Segundo Martins, além da carga tributária considerada mais eficiente, o país avançou em processos de desburocratização e flexibilização operacional.
“Não é meramente a carga tributária, mas também a perspectiva de burocracia, a relação de trabalho e outras questões que vêm tornando bastante desafiadora a atividade empresarial no Brasil”, afirmou.
Martins destacou ainda que o Brasil atravessa um momento de transição após a aprovação da reforma tributária, mas ainda sem clareza sobre a regulamentação definitiva.
“Hoje a gente não tem um cenário claro sobre isso”, disse. Segundo ele, o ambiente de implementação ainda gera dúvidas para empresários e investidores.
Questionado sobre os impactos desse movimento migratório para a arrecadação nacional, o tributarista avaliou que os efeitos ainda não são expressivos do ponto de vista numérico, principalmente diante do tamanho da arrecadação brasileira.
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