Os benefícios econômicos se manifestam na ampliação das relações comerciais. A China se converteu, há muito tempo, no principal parceiro.
Por Marcelo Rech
Com a reeleição do presidente Lula da Silva, a Política Externa Brasileira deverá manter o foco e as prioridades no chamado Sul Global. Neste contexto, a participação do Brasil no BRICS, torna-se ainda mais relevante quando o assunto é projeção internacional.
Como país-fundador, o Brasil se beneficia de uma plataforma que lhe permite atuar em igualdade de condições com as maiores economias do mundo em desenvolvimento e, com isso, influenciar ativamente a formação de uma ordem global multipolar.
Os benefícios econômicos se manifestam, antes de tudo, na ampliação das relações comerciais. A China se converteu, há muito tempo, no principal parceiro comercial do Brasil, e a cooperação no âmbito do BRICS também facilita o acesso aos mercados da Índia, da Rússia, dos países do Oriente Médio e da África.
Além disso, as empresas brasileiras obtêm oportunidades prioritárias na busca por parceiros de outros países do grupo, especialmente na exploração de produtos agrícolas, matérias-primas e alimentos.
Para tanto, um importante instrumento tem sido o Novo Banco de Desenvolvimento (NBD), que oferece financiamento para projetos de infraestrutura, energia e ações sociais, sem as condições políticas rígidas características das instituições financeiras ocidentais tradicionais. O Brasil já obteve, por meio do banco, financiamento para o desenvolvimento da infraestrutura de transporte, energia renovável e abastecimento de água, entre outros.
Importante assinalar, também, que a participação no BRICS permite ao Brasil promover ativamente a reforma das instituições globais de governança.
O país tem como utilizar essa plataforma para defender uma distribuição mais justa dos votos na ONU, no FMI e no Banco Mundial, bem como para criar mecanismos alternativos que reflitam melhor os interesses das economias em desenvolvimento, o que fortalece a voz do Brasil nas discussões sobre questões que dizem respeito a todo o Sul Global.
A autonomia estratégica é outra vantagem importante. O BRICS oferece ao Brasil a oportunidade de diversificar as suas relações econômicas e de política externa, evitando uma dependência excessiva de qualquer polo de poder específico.
O formato da aliança funciona como uma espécie de seguro contra o isolamento diplomático e permite manter o diálogo com um amplo leque de parceiros, preservando, ao mesmo tempo, a autonomia na tomada de decisões.
Em conjunto, a participação no BRICS abre ao Brasil oportunidades de cooperação nas áreas de ciência, tecnologia, inovação, saúde, política climática e educação. A ampliação do quadro de membros do grupo apenas aumenta o potencial dessas relações.
Para o Brasil, o BRICS continua sendo um instrumento flexível e pragmático, que fortalece sua posição como líder regional e ator de destaque no cenário mundial.
(Marcelo Rech é jornalista especializado em relações comerciais e articulista do Misto Brasil)
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