Depois do Primeiro de Maio

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As eleições gerais serão realizadas no dia 4 de outubro no primeiro turno/Arquivo
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Faltando cinco meses para o primeiro turno das eleições, o momento é de definições

Texto de André César

Passadas as celebrações do Dia do Trabalho, em primeiro de maio, os pré-candidatos à presidência da República, os partidos e o mundo político em geral ingressam em uma nova etapa do jogo sucessório. Faltando cinco meses para o primeiro turno, o momento é de definições.

Ajustes de rota são necessários. Alianças em negociação precisam ganhar materialidade, palanques estaduais fechados, rumos de campanha eventualmente alterados. A regra vale para todos os postulantes, sem exceções.



No PT, o ex-presidente Lula da Silva, que lidera por ora as pesquisas, enfrentou um princípio de turbulência interna com algumas declarações polêmicas (o caso dos policiais, por exemplo) e o desentendimento entre integrantes da equipe. Tudo aparentemente resolvido, ele selará o apoio formal com o Solidariedade, importante aproximação com o mundo sindical, e segue nas conversas com o MDB e outras forças de centro.

O titular do Planalto, Jair Bolsonaro (PL), por sua vez, continua a explorar territórios em tese pouco simpáticos a ele. Os “pacotes de bondades” viraram quase uma rotina no governo, visando conquistar as faixas de eleitores onde ele tem pouca penetração, ao mesmo tempo que radicaliza discurso e ação para mobilizar seu público mais fiel. A graça concedida ao deputado Daniel Silveira (PTB/RJ) e as críticas ao Supremo Tribunal Federal e ao Tribunal Superior Eleitoral sintetizam essa segunda parte da estratégia bolsonarista.



Ciro Gomes (PDT) segue tateando em busca de um discurso que impulsione seu nome. Espremido entre Lula, Bolsonaro e a chamada “terceira via”, ele não tem empolgado o eleitor – apesar de repaginar a imagem e mostrar-se menos mercurial. Apesar das dificuldades, o ex-ministro continua a ser o nome mais forte fora da polarização. Esse é seu principal ativo político.

Já a “terceira via” – ou campo democrático – continua andando em círculos. Os partidos que integram o bloco não chegam a um entendimento mínimo em torno de nomes e propostas e, dada a realidade, o União Brasil deverá abandonar o projeto. Na verdade, os nomes hoje na mesa não empolgam minimamente o eleitorado – João Dória (PSDB), Simone Tebet (MDB), Luciano Bivar (União Brasil) e até mesmo, num eventual retorno ao jogo, Sérgio Moro (União Brasil). As legendas se esqueceram de combinar com os russos.

É evidente que muita água vai rolar, as candidaturas tendem a afunilar e eventos dramáticos devem ocorrer daqui em diante. Uma coisa é certa – entre os dois principais nomes, Lula e Bolsonaro, não há hoje um favorito absoluto.


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