Duas encruzilhadas políticas

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O recesso será encerrado na próxima semana e, a partir daí, terá início o período de trabalho no Legislativo e no Judiciário. No curtíssimo prazo, duas decisões cruciais serão tomadas – a escolha da nova Mesa Diretora da Câmara dos Deputados e a definição do novo ministro do Supremo Tribunal Federal.

Ambas as decisões terão forte impacto sobre o mundo político em geral, em especial sobre a agenda governista. O Planalto trabalha com extremo cuidado nas duas frentes. No caso da Câmara, a recandidatura do atual presidente, deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ), ganha consistência a cada dia que passa. A Justiça, por ora, ratificou seu pleito e importantes partidos da base, como o PMDB, o PSDB e, é claro, o DEM, fecharam com ele. Mesmo setores da oposição (leia-se PT) apoiarão Maia.

Do outro lado, o Centrão segue na disputa. Embora Rogério Rosso (PSD-DF) tenha anunciado que sua candidatura está suspensa até uma decisão final da Justiça quanto ao caso Maia, o outro postulante, Jovair Arantes (PTB-GO), continuarem campanha. Parcela significativa do baixo clero caminha a seu lado, boque ainda representa um desafio para o candidato do DEM.

Para o Planalto, o nome de Maia é muito mais seguro. Além de já haver “mostrado serviço” no comando da Casa a partir de meados de 2016, os partidos que o apoiam são mais consistentes no âmbito ideológico – e mais alinhados ao governo Temer. 

Confirmada a vitória de Maia, ao Planalto será necessário realizar uma pequena mudança de peças no primeiro e segundo escalões, para compensar os derrotados e evitar futuros problemas no Congresso Nacional.

Também a questão do STF é delicada. A inesperada passagem do ministro Teori Zavascki abriu uma posição estratégica na Corte, e o presidente Temer adotou uma postura de cautela para definir seu substituto.

Um indicativo do quanto a cadeira no STF é importante está no número de postulantes ao cargo – pelo menos quinze, de acordo com a imprensa. Menos importante que o nome, interessa ao governo um ministro que seja alinhado a seus interesses e, ao mesmo tempo, tenha postura discreta dentro da Corte. A decisão de Temer deve ser anunciada muito em breve.

Como se vê, 2017 começa agora. Os resultados desse início, tanto na Câmara quanto no STF, ditarão boa parte da agenda do ano.

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