Crime organizado não vence por ser mais forte que o Estado

Lázaro Barbosa buscas polícia Misto Brasil
Policiais durante operação no Centro-Oeste/Arquivo/Reprodução
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A sociedade se sente refém dessas organizações, que dominam território, impõe “justiça” e controlam a economia legal e ilegal

Por Marcelo Rech – DF

Na última sexta-feira (05), passou a vigorar, para os EUA, a designação de organizações terroristas para o Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV).

São consideradas por Washington como “as organizações criminosas mais violentas da América Latina, possuindo estruturas transnacionais consolidadas e ampla atuação em atividades ilícitas relacionadas ao tráfico internacional de drogas, armas, munições, lavagem de dinheiro e outras modalidades de criminalidade organizada”.

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Desde então, um amplo debate conceitual tem polarizado as discussões, enquanto que o cerne da questão, tem sido deixado de lado, muitas vezes, de forma proposital.

Para mais além de uma designação com impactos internos, o fato objetivo é que a sociedade se sente refém dessas organizações, que dominam território, impõe “justiça” e controlam a economia legal e ilegal.

O fato é que o crime organizado não vence por ser mais forte que o Estado, vence por se adaptar mais rapidamente.

Consideremos um cenário comum.

Um contêiner sai da América do Sul. Semanas depois, cocaína é descoberta em um porto europeu. As autoridades iniciam investigações.

Relatórios são trocados. Mecanismos de cooperação internacional são ativados. Solicitações são enviadas. Respostas são processadas. Reuniões são agendadas. Informações circulam pelos canais oficiais.

Mas, enquanto as instituições se comunicam…As redes criminosas se movem. Trocam de telefone. Mudam de rotas. Trocam de empresas. Trocam de facilitadores. Trocam de portos. Mudam de métodos.

É o que especialistas chamam de Lacuna de Inteligência. A distância entre descobrir uma operação criminosa e agir com rapidez suficiente para interrompê-la. O crime organizado moderno opera em tempo real.

Muitos sistemas governamentais ainda operam em uma escala de tempo processual.

E essa diferença importa. Cada dia perdido em comunicação é um dia ganho em adaptação criminosa. O desafio que a comunidade internacional enfrenta não é simplesmente compartilhar informações.

O verdadeiro desafio é compartilhá-las com a velocidade necessária para produzir resultados operacionais.

Uma apreensão é valiosa. Uma prisão é importante. Mas nenhuma delas será suficiente se a rede criminosa já tiver se reorganizado antes que a inteligência chegue a quem precisa agir.

A questão fundamental é: o crime organizado consegue se adaptar mais rápido do que os governos conseguem se comunicar?

Na maioria dos casos, a resposta continua sendo desconfortável. Sim. E é exatamente por isso que inteligência, velocidade e cooperação entre múltiplas agências são mais importantes hoje do que nunca.

“A maior vantagem do crime organizado moderno não é o sigilo. É o tempo.”

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